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Toda ação gera uma reação. Todo vento cria movimento. A cada pedrinha jogada no lago é uma festa. 


Tem momentos em que uma simples atitude de mudança gera tantos acontecimentos juntos que nem temos tempo para pensar se são coisas boas ou não tão boas assim. Mas são de alguma forma: movimentos. 


O Vento que Bate no Rosto

Um simples “não” abre tantos caminhos bloqueados que sempre penso por que não fiz isto antes. E se é sempre tão fácil assim, qual a razão de tanto bloqueio de pensamento? De travas que não fazem a roda girar, as novidades acontecerem e os velhos conceitos irem embora? As soluções podem estar ao alcance de todos, mas talvez precisemos entrar por caminhos mais tortuosos e consequentemente mais dolorosos. Talvez assim possamos dar o valor necessário à conquista final. 


Não há graça naquilo em que se é dado por dar, sem persistência e suor.... eu pelo menos acho assim. Sentir o doce prazer de ser livre e tomar nossas decisões como bem entender é mais interessante quando conhecemos o oposto. Então, será que precisamos sofrer para conhecer o prazer? Não sei. Só sei que ao acharmos a saída no final do túnel, tudo fica mais claro e óbvio e aquela sensação de liberdade que temos é tão intensa quanto o vento que bate no rosto, seja de moto, bicicleta ou num simples ônibus.


 
 

Atualizado: 1 de jan.

Pare por aqui se você não gosta dessas coisas mais misticas.


Se estiver aberta a isso, vem comigo nessa reflexão sobre o ano.


Vamos Montar Nessa P**** de Cavalo
Claro que tive que criar essa imagem, exatamente o oposto de como me sinto no momento rs :)

2025 foi o Ano da Serpente, que simboliza intuição, transformação e, acima de tudo, renascimento e renovação. Não sei você, mas pra mim foi exatamente isso.


A troca de pele foi tão intensa que estou terminando o ano lidando com uma gripe bem difícil — febre, dores, exaustão — justamente na semana do Ano-Novo. Todos os planos que eu tinha (e que faço todo fim de ano) de limpar o armário, organizar documentos, colocar a vida em ordem e alinhar tudo com minhas resoluções… tudo isso foi por água abaixo.


Bom, c’est la vie.


Mesmo sentindo falta do ato físico de limpar o espaço — e, por consequência, a mente — escolho aceitar e soltar a necessidade de controlar tudo e planejar cada detalhe, como uma boa capricorniana costuma fazer.


Talvez eu passe o Ano-Novo “alta” de febre, e não de prosecco, mas ainda assim dou as boas-vindas a 2026 — o Ano do Cavalo e, segundo a numerologia, um ano número 1: cheio de energia, paixão e transformação.


Mais transformação?Bom… acho que sim.


2025 me mostrou o quanto estou cansada de sofrer e de ficar provando que sou forte. Sério, eu já entendi. Estou terminando o ano me sentindo péssima, feia, exausta. Talvez seja só a pele da serpente se soltando.


Espero que seja.


Pelo menos essa próxima transformação não começa do zero. Ela parte de um fogo que já foi aceso em 2025 — centímetro por centímetro, camada por camada — transformando, renascendo, se preparando para o que vem agora.


Vamos montar nesse cavalo que é 2026.🐎Vambora, p****!

 
 

Quando ouvi pela primeira vez do meu oncologista que o novo tratamento que estou fazendo para essa recidiva não tem uma data específica para terminar — mesmo com um diagnóstico negativo — pensei que, mesmo que levasse alguns anos, em algum momento eu estaria livre disso.


Vou encaixar isso na minha vida — e não o contrário

Mas na minha última infusão essa semana (eu faço a cada três semanas), perguntei de novo, porque estou planejando uma viagem ao Brasil e queria ficar mais tempo do que esse intervalo. Para minha decepção, ele me disse que ainda não pode prever uma data de término. Simplesmente não há dados suficientes, e cada caso é diferente. A única coisa que ele sabe com certeza é: se eu parar, pode voltar.


Nada divertido.


Ele disse que, no fim, serei eu quem terá que decidir se vale a pena pular uma infusão para algo importante — como estender minha estadia no Brasil.


Ouvir isso me trouxe um turbilhão de emoções. Levei dois dias para conseguir escrever sobre o assunto. Nunca imaginei passar por um câncer de mama, muito menos duas vezes. Sem mutação genética, sem histórico familiar, sem maus hábitos de saúde. E mesmo assim… aqui estou. De novo.


E agora, saber que vou depender desse medicamento por um tempo imprevisível, é puxado.


Você pode pensar: “Mas qual o problema? Muitas mulheres com câncer de mama tomam remédio todos os dias por 5 ou 10 anos.” O que pesa pra mim é precisar ir a uma clínica oncológica a cada três semanas. Tomar os pré-medicamentos que bagunçam minha cabeça — especialmente o corticoide. Perder o dia inteiro porque eles me deixam exausta. Depender de alguém pra me levar. Não poder simplesmente planejar uma viagem longa para ver minha família e amigos sem pensar nas datas do tratamento.



Minha vida inteira precisa ser planejada em torno das datas da infusão.


Ainda bem que tirei o acesso, porque aquela coisinha seria minha “amiga para sempre” por tempo demais — e aquilo incomoda muito!


Agora, a única coisa que posso fazer é ressignificar tudo isso. Talvez leve um tempo — ou não. Mas eu preciso encontrar uma forma de encaixar esse tratamento na minha vida, e não viver em função dele. Não quero me sentir escrava disso.


Toda essa jornada com o câncer — a primeira e a segunda — trouxe muita coisa pra refletir. E principalmente, pra me adaptar. É muita coisa pra processar. Mas a única maneira que sei de seguir é ressignificar cada pequeno desafio… e ser grata.


Sim — grata pelas experiências, pelas possibilidades, pela força que a gente tira de dentro e pelo apoio que recebemos. Me dá uns dias. Tô ressignificando.

 
 
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