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Descobri recentemente que envelheci. Envelheci em idade, fato. Mas, pela primeira vez senti que envelheci biologicamente, apesar de mesmo juntando idade e saúde, ainda me olho no espelho e vejo uma mulher de 30 anos.


Descobri recentemente que envelheci
Serge Diakonoff, 1980’s

Descobri que envelheci pelas lentes dos outros. Digo, outros mais jovens. A turma dos seus 18-20 anos olha para mim e vê a mãe deles, comenta coisas como se eu não tivesse noção do que eles estão falando e eu, quando falo algo acontecido “na minha época”, não entendem do que se trata. Descobri que envelheci quando vejo atores, cantores, diretores de cinema, escritores, artistas que admiro com a minha idade para cima. Não sei ou conheço muito sobre os novos, de 20 anos para baixo. Descobri que eu envelheci quando a tal energia que ainda tenho e muito, parece falhar no final do dia ou quando assisto TV tarde e apago, mesmo que insista em desafiar o sono que chega pesado. O mesmo quando descobri que não dá mais para comer e deitar, dá refluxo. Beber um pouco além, dá refluxo. Qualquer coisa, dá refluxo.


Descobri que envelheci após terminar um tratamento de um ano e meio de câncer de mama e ter entrado na menopausa por conta. O oncologista disse que tinha avisado que isso podia ocorrer. Não me lembrava, ou talvez nem quis prestar atenção. Quando parei de sangrar logo no primeiro mês, descobri que envelheci. Também descobri que envelheci quando de cara com essa doença tão assustadora, senti de perto a finitude da vida e com ela a não conclusão de milhares de projetos, milhares de ideias não executadas e coisas práticas, como aposentadoria, um futuro seguro, quem vai cuidar da mamãe, ficarei para sempre em outro país, não vou ter filhos, quanto tempo ainda tenho que trabalhar. Todas essas ações de “futuro” eu fui empurrando com a barriga já que me achava tão distante da velhice. Tola. Tolinha.


Descobri que envelheci vendo meus amigos envelhecendo também, reclamando dos xovens, com nostalgia de década aqui e ali. Eu descobri que envelheci, mas só descobri, não aceitei ou melhor, ainda não caiu a ficha. Se isso é bom ou ruim, o tempo dirá. Com certeza a falta de planejamento futuro é um erro. Mas isso eu estou aprendendo, levando tapas atrás de tapas. Uma coisa é boa de descobrir que estou envelhecendo, é não esperar mais. Não esperar mais para envelhecer. Descobrindo a cada que dia que estou enVivendo. 

 
 

Olá, meu nome é Rita Avellar e sou escritora. (Suspiro) Devo dizer que isso é uma frase tão pequenina, mas cheia de forte significado para mim, e extremamente difícil de dizer em alto e bom som. A fato é que, quando digo: 'Eu sou uma escritora,' a síndrome de impostor vem me dando um tapa, dizendo: 'Como é que você é escritora se não tem um livro publicado?' "Como é que você é se não tem um projeto como um filme, série de TV ou qualquer mídia por aí com seu nome!" Bem, eu tenho lidado com essa voz interior há um tempo, e estou mais do que pronta para dizer, baby, isso basta!


Oi, eu sou escritora!

Sim, não tenho um livro publicado. Ainda. Não tenho um filme ou série de TV com meu nome como o principal escritora. Ainda. No entanto, como eu digo toda vez que quero "explicar" minha paixão por escrever e contar histórias, desde que aprendi a escrever e ler, crio histórias e compartilho meus pensamentos.


Começou literalmente quando eu tinha 7 anos. Escrevi livros e contos - um quase se transformou em um curta -metragem de animação quando eu tinha 10 anos. Entrei para um clube de escritores no qual tive a oportunidade de melhorar minha escrita. Mais tarde, quando adolescente, ajudei a escrever peças e escrevi alguns poemas e alguns diários. Esses eram escritas absolutamente secretas, mas com certeza ajudaram a tirar as palavras do meu peito e evitaram algumas doenças psicossomáticas, como dor de garganta. Quando adulta, o mundo do blog me fascinou e, durante anos, eu tinha um, o Frenética S/A no qual compartilhava meus pensamentos sobre a vida, e até tive alguns fãs ao longo do caminho. Ao mesmo tempo, também escrevi para vários jornais e revistas sobre moda - tendências, mas também sobre o comportamento humano ligado à moda, um assunto que eu amava devido à minha graduação em design de moda. Acabei abrindo uma agência de marketing de conteúdo em 2009, na qual eu e minha equipe (adivinhe?) escrevia conteúdo para blogs e mídias sociais. Isso foi mesmo antes do Instagram existir. Como o Jurassic Park das redes sociais. Durante o mesmo período, comecei a escrever um livro sobre a saga de uma família no Rio de Janeiro e sua implicação com o Jogo Do Bicho. Foi quando, em 2013, fui a San Diego para estudar escrita criativa no curso de verão da UCSD. Meu projeto final, um conto, foi selecionado como um dos melhores entre os 20 estudantes, e eu era a única estrangeira (esse conto foi o que estou transformando em um curta-metragem). Depois disso, a professoara do curso me convidou para fazer parte de um clube para escritores nos quais nos encontrávamos uma vez por semana para compartilhar nossos projetos de escrita. Traduzi para o inglês meu chamado projeto de livro e o compartilhei com eles. Eles adoraram! De volta ao Brasil, estudei roteiro por um ano e entrei em outro universo, e fiquei completamente viciada. Isso foi em 2014.


Oi, eu sou escritora!
Primeira leitura do meu próximo curta-metragem, The Fat Lady

Bem, 10 anos se passaram e a síndrome do impostor estava tentando me atacar novamente. Durante esses últimos 10 anos, ensaiei alguns retornos à escrita, o que fiz aqui e ali, mas me sabotei muito, em parceria com esse cara da síndrome. Por que? Este é um dos principais tópicos das minhas sessões de terapia. Me assusta ver muitas histórias que escrevi apareceram em livros, séries de TV e filmes. Não, ninguém me copiou, é claro. Como um professor que tive durante a faculdade de design de moda comentou uma vez, as ideias estão fluindo no ar, quem tem a antena para capturá -las os pegá primeiro. Eu tinha essas antenas, ainda as tenho, só preciso ativá-las novamente. Mas mais do que ativá -los é dizer isso: eu sou um escritora, sim, eu sou!



 
 

Outro dia eu recebi um email do Hotmail (sim, ainda tenho uma conta Hotmail que completará 30 anos de existência em 1995), como algumas fotos de anos atrás. Uma delas é essa onde estou em um kart em Belo Horizonte, fechando a turnê da banda americana de punk-rock ou mais precisamente, Krishna-Core, o hardcore com influências orientais relacionadas ao hinduísmo.


Você Já Foi Tradutora de uma Banda de Krishna-Core? Eu Fui!

A banda Shelter foi ao Brasil pela primeira vez em 1997 em uma turnê de uns 15 dias em cidades como Salvador, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Santos e Belo Horizonte. E eu no auge dos meus 19 anos fui a tradutora oficial da banda, convite feito pelo querídisso Cacá Prates, amigo do meu pai e com muitas histórias de rock and roll e estrada.


Segundo a minha irmã Mariana, eu sou uma espécia de Forrest Gump. Eu tive tantas expeiências interessantes e loucas em minha vida, mas acho que essa está no top 5 da parada "best moments of my life". Não somente porque viajei pelo Brasil em uma turnê de quando a banda explodia na MTV, mas pela experência espiritual e literalmente transcendental que tive no primeiro press-conference da banda no Rio em um templo hindu no Alto da Boa Vista. Essa experiência, foi um misto de alegria e gratidão que nunca havia presenciado. Após uma dança no ritmo energético hare-krisna, eu saí do meu corpo e flutei pelo salão como se tivesse há 3 dias a cantar e dançar. Ao voltar para o meu corpo físico, estava a chorar junto com o meu pai e o responsável pelo templo. Não, não teve bebidas nem drogas. Foi puro êxtase e música mesmo.


Você Já Foi Tradutora de uma Banda de Krishna-Core? Eu Fui!

Isso foi o primeiro dia dessa experiência, recheada por outros momentos vivenciando a estrada - no caso, avião rs - rock and roll. Teve João Gordo rindo de mim porque o vocalista pediu para eu traduzir um discurso de contra violência no show de Santos e por isso, ganhei uma cusparada de um fã revoltado. De conhecer em cada cidade um templo hare-krisna e provar a sua comida deliciosa. De criar uma amizade querida com o baixista que amava escutar os K7 de bandas brasileiras de rock que ele recebia de seus fãs e que morria de medo de avião que nem eu. De uma vez quase perder o ônibus com a banda porque o segurança me confudiu com uma fã. De dar muitas gargalhadas com a querida Silvia (RIP). De aproveitar os quartos de hotel só para mim. E de até mesmo ter algumas rusgas com o vocalista (sim, este rapaz acima, onde depois de uma dessas rusgas, tiramos essa foto).


Obrigada meu velho amigo Hotmail por me fazer recordar. Obrigada vida por esses momentos. Mais uma checked na lista e mais uma história Forrest Gumpiana para contar.

 
 
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