Na última quarta-feira tive consulta com o meu oncologista. Era mais uma daquelas consultas em que eu tentava descobrir quando iria parar a quimio. Diferente do meu primeiro tratamento de câncer, dessa vez não existe prazo. Não existe linha de chegada definida. É meio “deixa a vida me levar, vida leva eu”.

Segundo meu médico, ainda não existem dados suficientes que comprovem se, ao parar a quimioterapia, o câncer volta ou não. Ou seja: não há uma resposta clara. Se o corpo parar de tolerar o tratamento, então se pensa em parar. E foi isso que fiz.
A decisão pareceu rápida, mas na verdade vinha sendo pensada há muito tempo. Eu queria mais uma confirmação de que o câncer realmente não estava mais ali — através do PET Scan e da biópsia líquida que faço a cada três meses. Já tinham sido três resultados negativos. Nessa última consulta veio mais um. Uhú!
Confesso que fui para a consulta com uma pequena esperança de ouvir:“Está liberada.”
Mas o que ouvi foi diferente. Meu médico reafirmou que, no meu caso, sou eu quem precisa escolher. Porque simplesmente não existe informação suficiente para decidir por mim.
E eu escolhi parar neste momento.
Nos últimos três tratamentos comecei a sentir alguns incômodos. Nada tão dramático a ponto de parar a vida. Mas são pequenos acúmulos que vão minando a energia, o corpo… e a mente também. Meu corpo já não estava tolerando da mesma forma. E minha mente estava cansada.
Paro sabendo que continuo sendo monitorada a cada três meses. E que, no fim das contas, a única maneira de saber o que acontece é exatamente essa: parar e observar como o corpo reage.
Pode voltar? Pode ir para outro lugar? Tudo pode. Mas também pode nunca mais voltar. E eu, de fato, estar — e me sentir — curada.
Câncer é um troço muito doido. Ele varia de pessoa para pessoa. Não escolhe ninguém. Mesmo quem sempre teve hábitos saudáveis pode se ver nessa situação. Ele te coloca em um estado de alerta constante. Mas chega uma hora em que é preciso confiar. Confiar no corpo. Confiar na vida. E seguir. E eu sigo.


